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Redução de malária continua longe das metas

By: Arsenio Manhice Maputo

Mozambique (AMMREN)

O UNIVERSO de óbitos por malária, em Moçambique, registou uma ligeira redução no ano passado, se comparado com o ano anterior, embora continuasse aquém das metas por atingir, indicam dados preliminares da situação da malária no país, em nosso poder.

Entretanto, os mesmos dados mostram um certo aumento na globalidade dos episódios notificados pelas unidades sanitárias públicas, numa avaliação aos dois períodos

Em termos de óbitos, houve, o ano transacto, 3366 contra 5038 de 2006. Quanto aos casos notificados nas consulta externas foram, no total, 6 327 916 contra 6 306 515 episódios do período antecedente.

Esta informação não é conclusiva na medida em que não inclui as 52 semanas, pese embora, no geral, fosse até 50 semanas, o que é bastante representativo.

 

A informação disponível permite notar que apesar dos esforços empreendidos, a luta contra a malária continua a merecer maior atenção. O facto é que, olhando tanto para os óbitos, assim como para os episódios, nota-se que os números estão acima daquilo que são as metas constantes do Plano Estratégico do Programa Nacional de Controlo da Malária (PNCM), da Declaração dos Chefes de Estado e de Governos feita em Abuja, em 2000 e o respectivo Plano de Acção, incluindo as Metas do Milénio.

Por exemplo, Moçambique e outros estados africanos deviam reduzir para mais de metade os episódios e óbitos por malária até 2010, conforme o compromisso assumido em Abuja, no ano 2000. No entanto, em 2001, Moçambique registou 3 947 335 casos e 3400 óbitos. Hoje, ao invés de estarem reduzidos estes números, conforme os dados no topo, nota-se uma duplicação.

Os planos indicam que é preciso proporcionar a 60 porcento das pessoas que sofrem de malária, acesso simplificado e adequado de tratamento, num período de 24 horas após a verificação de sintomas ou sinais, o que até hoje é um “sonho”. Tudo porque continuam poucas as unidades sanitárias, incluindo dificuldades no diagnóstico.

Por outro lado, os grupos mais vulneráveis como crianças de até cinco anos e mulheres grávidas deviam ter as melhores formas de prevenção como redes mosquiteiras tratadas com insecticida de longa duração. Este aspecto também não está a ser cumprido embora tivesse sido distribuídos, no ano transacto, 938950 redes mosquiteiras contra 376666 do ano anterior.

Para já, a distribuição das redes mosquiteiras é feita por organizações como o Fundo das Nações Unidas para a Infância e a Malária Consortium.

As redes que o Governo adquire são para uso exclusivo nas camas das pediatrias das unidades sanitárias públicas. Consequentemente, nem todos têm acesso às redes.

Enquanto isso, a pulverização intra-domiciliária (PIDOM) continua limitada à alguns bairros dos grandes centros urbanos. Na priovíncia de Niassa, norte de Moçambique, apenas Lichinga e Cuamba estão abrangidos pelo PIDOM. Em Nampula, também norte do país, apenas cinco distritos e Inhambane, sul, apenas três, situação que deixa as pessoas de baixa renda vulneráveis.

Perante estes dados, fica claro que a luta contra malária continue longe de ser vencida, apesar dos esforços de natureza positiva que estão em curso.

 

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